Você precisará estudar nos discursos a fonte das palavras: elas nasceram da garganta ou do coração? Eles representam o que a pessoa é ou só o que acha certo ser - ou, pior, o que acha que é bonito aparentar? Na aplicação da teoria que a pessoa professa ao seu próprio dia-a-dia está a chave desse conhecimento:
- Esbraveja contra a corrupção, mas, alegando valores altos de multas, abre exceção para si próprio e suborna um agente da lei;
- Propala o poder do diálogo, mas é surdo e belicoso para quem lhe retira de seu conforto mental, propondo reflexões ou mostrando situações que estremecem seus argumentos cristalizados;
- Discursa sobre a paz, mas, na intimidade do lar, alegando descontentamentos com posturas alheias, subjuga, maltrata e agride a título de autodefesa;
- Condena a pena de morte, mas só até que algum seu querido seja vítima de grave violência e, então, passa a prontamente admitir o assassinato;
- Censura a mentira, mas, a pretexto de autopreservação, recorre a ela sem constrangimento;
- Promulga a justiça, desde, é claro, que ela seja aderente às suas aspirações;
- Prega uma fé religiosa, mas dela faz retalho, aplicando para si apenas as sentenças que interessam no momento.
O que é convicção, meu filho, não se molda por situações exteriores. O que é conveniência sim. Há outros traços gerais pelos quais você poderá distinguir uma coisa da outra. Para o que vive de "ética de conveniência":
- A culpa é sempre do outro, jamais de si próprio;
- As desculpas são fartas e variadas, porque ele busca nelas com força o autoperdão;
- É seletivo nas coisas que divulga, filtrando apenas aquelas que contribuem para suas escusas;
- Tem profunda dificuldade de pedir desculpas e admitir os próprios erros;
- A ingratidão costuma ser traço de seu comportamento.
Mas, mais importante do que detectar essas atitudes fora é identificá-las dentro: reflita sempre, meu amor, sobre o que você é e o que você ainda está em busca de ser. Seja honesto consigo mesmo e com os demais. Cuidado com radicalismos. Ouça. Guarde. Observe. Medite.
Expandir, com consciência e honestidade, o que você conhece de si próprio é o único caminho para abandonar o discurso conveniente e transformar os princípios em que você acredita em construção sólida em torno de sua essência - em convicção.
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